Dancing with the devil... the art of starting over: desempenho comercial, erros da equipe e a longevidade de Demi Lovato

 Demi Lovato lançou seu álbum, o "Dancing with the devil... the art of starting over" e eu logo já fiz o meu post comentando faixa sobre faixa e a minha impressão geral do disco, que é marcado por uma sonoridade nostalgia e ainda assim, inovadora, da cantora. Lançado no dia 02 de abril, a sua primeira semana comercial do álbum já foi contabilizada, com o debut nas principais paradas mundiais estreadas e algumas observações que eu gostaria de fazer. 

Primeiramente, gostaria de comentar os feitos que foram realizados, com o seu sétimo álbum de estúdio e ressaltar que eles provam uma coisa com clareza: uma carreira com longevidade. 

- No iTunes Worldwide, Demi marcou presença no primeiro lugar e ao redor do mundo e pegou o título de álbum feminino que passou mais dias em primeiro lugar. Desde o seu lançamento, passou pelo número 1 em pelo menos 40 países na loja virtual, sendo um desses países, os Estados Unidos - o maior mercado do iTunes. Foi também o primeiro álbum da cantora a passar 10 dias seguidos no Top 10 do iTunes US. 

- Na maior plataforma digital de stream, o Spotify, Demi registrou no primeiro dia de contabilização 10.656.719 milhões de stream, sua maior estreia - que demonstra como mesmo apesar dos altos, baixos, boicotes e subestimações na indústria, a cada era, ela se supera mais e mais - e diga se de passagem, marcou até então, a maior estreia feminina do ano. 


- Na contagem final da semana, foram registrados 54,7 milhões de streams em sua primeira semana no Spotify. Sendo o segundo álbum feminino com mais streams na semana, atrás apenas do Future Nostalgia e o sexto entre todos os álbuns em uma escala mundial. Em território americano, o DWTDTAOSO foi o álbum feminino com mais streams recebidos. 

- Na disputa das paradas de álbuns mais importantes - US e UK - Demi Lovato estreou em segundo lugar em ambos por pouca diferença. No UK menos de 300 cópias separaram a cantora da primeira posição, mas mesmo assim, registrou o ponto mais alto que já alcançou na parada - mais uma vez se sobressaindo. Já nos US, o primeiro lugar ficou a pouco mais de 1000 cópias de diferença. 

- No entanto, na parada de Top Album Sales dos Estados Unidos, Demi conquistou o número 1, pela segunda vez. A primeira foi com o gracioso Here we go again. 

- Na maior parada de singles americana, o lead single Dancing with the devil estreou na posição #56 e o feat. com Ariana Grande, Met him last night, na posição #61 - essa mesmo sem single. 


No geral, o desempenho do álbum foi muito bom, mostrou a longevidade da carreira de Demi e como ela consegue superar o seu impacto na indústria. Demi Lovato é uma cantora pop mainstream e esses números não mentem. Obviamente, sua fã base fiel é grande responsável por todo esse esforço, pois observei por uma semana stream partys, compras, divulgação e muito apoio para evitar a primeira previsão de estreia do álbum, que no mínimo, era completamente incompatível com o calibre de artista que Lovato é. 

Mas mesmo com toda a glória, superação de números, novos feitos e um grande apoio dos fãs, preciso constatar um fato: poderia ser melhor se tivesse uma gestão com estratégias mais organizadas e uma gravadora que investisse nos lugares certos, na semana de estreia. Apesar de discordar completamente, que a cantora não teve apoio para divulgação - afinal, ela lançou clipe, tem um documentário em quatro partes disponibilizado em sincronia com o lançamento do álbum, entrevistas e apresentações que foram realizadas durante a semana - ainda assim concordo, que a divulgação não foi lá muito o forte da equipe. 

Com o boicote da gravadora a parte, preciso falar sobre Scooter Braun.

O novo manager, que gerencia a carreira do Justin Bieber e Ariana Grande -  os maiores nomes do seu catálogo - fez alguns movimentos de divulgação que fizeram sentido e obviamente todo o relato sobre ele, no documentário da estrela pop, me deixa com o coração mais mole, em visto do apoio que Braun representou para Demi, mas eu preciso apontar O erro que a fez perder o primeiro lugar. 

"Ah, mas a Demi não se importa com charts", e isso é ótimo, mas eu me importo. 

Permitir o lançamento de um álbum inédito do Bieber em datas tão próximas? Sério? Não é como se fosse um segredo o impacto que o Justin Bieber tem no país. O cantor é uma febre desde o 15 anos, e apesar de polêmicas, altos e baixos, sua carreira musical sempre se manteve estável. Até mesmo seus trabalhos mais questionáveis pela crítica, lhe renderam alguns hits que fizeram morada no top 10, então não acredito que seja difícil imaginar que ele poderia dobrar mais de uma semana em primeiro lugar com o álbum. 

Outro fator que provavelmente contribuiu com isso, foi a música Peaches ter viralizado e até abocanhado o primeiro lugar na Hot 100, mas mesmo assim, poderia ser evitado, já que o Scooter gerencia a carreira dos dois. 

Outra coisa que me parece familiar na estratégia de divulgação do Scooter, é uma linha do tempo bem rápida, com lançamento de clipe, single e álbum, tudo de uma vez. Conseguimos ver como exemplo, o último lançamento da Ariana, com o álbum Positions e até mesmo os dois últimos álbuns do Bieber, "Changes" e "Justice". Essa foi uma estratégia repetida com a Demi, tendo lançamento do documentário, single, álbum e clipe lançados em um curto período de tempo. Nesse caso, foi uma estratégia inteligente? Eu duvido. É óbvio que é um movimento causado para manter o hype dos trabalhos no mesmo ritmo e fazer um buzz legal com o lançamento, mas depende muito do impacto que o artista tem por si só. 

Eu amo a Demi Lovato do fundo do meu coração, mas não podemos ser cegos e dizer que a cantora tem o mesmo impacto que a Ariana Grande e o Justin Bieber nas paradas. Ariana por exemplo, teve a estreia do Positions com mais de 50 milhões de streams e o Bieber mais de 40 milhões com o Justice. Fora que os dois já eram artistas que colecionam números 1 na Billboard Hot 100 e vários top 10. Demi no entanto, apesar de uma carreira estável e ser um dos nomes mais conhecidos dos artistas pop que surgiram no fim da década de 2000 e começo da década de 2010, não tem esses números. Seja por sempre ter uma gravadora que não investia no seu trabalho direito (quem viveu a época da Hollywood Records sabe), seja por ter os singles errados escolhidos, por cansar dos seus álbuns antes mesmo de ter gosto para divulgar ou até mesmo por ter passado mais de uma década com uma equipe que priorizava outros artistas e traçava estratégias de marketing, simplesmente erradas, ela ainda não tem esse alcance. 


Mesmo que tenha seis - agora sete - álbuns bem sucedidos, singles que chegaram ao top 10 da Hot 100, músicas com mais de um bilhão de stream... O impacto musical que a Demi tem é diferente. Para projetar sucesso de vendas e criar um hit, precisa ser trabalhado (como exemplo, o single muito bem sucedido Sorry not sorry, que rendeu um álbum muito bem sucedido). E um bom trabalho com um lead single fez falta. 

Lançar Dancing with the devil com uma semana faltando para o lançamento do álbum me soa uma estratégia equivocada demais. Acredito que, mesmo não sendo uma música pop de rádio, se fosse bem trabalhada, por exemplo, desde a data do lançamento do trailer do seu documentário, poderia ter tido um desempenho melhor. Dua Lipa está ai para provar que um bom trabalho de divulgação faz toda a diferença na carreira. O Grammys que o diga. 

Enfim, a estratégia de lançamentos simultâneos, para a carreira de Demi, não funcionou. E sinceramente, é uma outra questão que não entendo como Scooter não enxergou. 

Mas deixando os erros da gravadora e do próprio gerente de lado, o álbum foi bem recebido pela crítica especializada e atualmente se encontra em a nota 74 no site Metacritic, empatando com seu outro álbum aclamado, Confident, com a diferença que Dancing with the devil... the art of starting over tem 3 críticas a mais - sendo o álbum mais avaliado de Lovato - e mais críticas positivas, se tornando seu álbum mais aclamado. 

Uma conclusão, é que apesar de erros que chegaram a ser grotescos, causados pela Island (atual gravadora da cantora) e pelo renomado Scooter Braun, Demi ainda assim provou que é uma cantora aclamada, relevante e que mesmo quando todas as estatísticas estão contra, seu trabalho, talento e sua fã base fiel, se sobressaem, não deixando a carreira da cantora regredir, jamais. 

Para essa nova era? Espero que possa ser bem trabalhada na divulgação para causar algo que muito artista tem dificuldade de manter, mas que Demi Lovato já tem como melhor amiga: estabilidade. E vários clipes, hits, apresentações e uma projeção para um trabalho ainda maior no futuro. 

Apesar que disso, não duvido que Demi ira obter. Sob a gerencia de Braun, que desde o inicio da contratação levantou expectativas nos fãs para que Lovato seja vista e apreciada como merece, ou sob o talento de Demi que por si só, sempre levou a sua carreira a progressos. 

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