Eu e minha grande admiração pelo Ryan Murphy

Assisti American Horror Story pela primeira vez, em 2012 no auge da sua segunda temporada. Algo sobre a ideia de ter uma série em forma de antologia, com uma história completamente diferente em cada temporada mas com os atores que tínhamos nos apaixonado desde o primeiro episódio da primeira temporada simplesmente soava... certa. E absolutamente inovadora. 
No auge dos meus 14 anos, onde assistir séries eram os motivos pelos quais eu me apaixonada por histórias, romances, personagens e universos inexistentes mas que eram um desejo de consumo, aquilo pareceu genial. 


Um pouco mais tarde, mais madura, encantada e com um catálogo maior de séries já assistidas, conheci a série Glee, que simplesmente aqueceu meu coração em cada episódio exibido das primeiras três temporadas. Mas que programa de TV fascinante, né? Glee era tão diferente e inovador quanto AHS. Tão incrível, aclamado e com a sua própria personalidade que destoava de qualquer show adolescente que fez sucesso na mesma época ou em qualquer outra época (onde os anos 2000 dominavam essa categoria), Glee era Glee. Não existia nada igual. Assim como American Horror Story. E a única coisa em comum que esses dois shows tem é ele: Ryan Murphy (e Brad Falchuk). 


A questão com o Ryan Murphy, é que ele soa como uma lenda única e genial. Ano passado, com o tempo para maratonar séries durante as férias, (que sinceramente eu não tinha desde os belos anos de adolescente quando), escolhi duas séries para assistir: American Crime Story e Pose. De novo, com o Ryan Murphy envolvido na criação. 


American Crime Story - uma antologia de crimes - tem duas temporadas que trazem momentos que cutucam na ferida, te deixam apreensivo, o torna um obcecado e apenas quer terminar de assistir para saber qual a resolução de tudo, que de fato, aconteceu na vida real. A segunda temporada, O Assassinato de Gianni Versace é definitivamente a minha temporada favorita, que me fez refletir muito sobre o comportamento do ser humano e que revelou o ator Cody Fern (que veio a interpretar o anti cristo na temporada de Apocalypse em AHS e fez um brilhante papel e Xavier na nona temporada, 1984) e mostrou para o mundo o que todo fã de Glee já sabia, Darren Cris é extremamente talentoso e digno de Globo de Ouro. 

Outro detalhe que acho incrível sobre o mesmo: como ele mantém seus melhores atores nos shows atuais, explora seus talentos e os deixa em evidência para a crítica especializada os aclamar. Grandes exemplos disso são Sarah Paulson, que ganhou um Emmy e Evan Peters que tem grande destaque nas temporadas de AHS e foi convidado para Pose. Fora todos os outros atores que se destacaram de alguma forma em uma série e recebem o devido reconhecimento com papéis durante seus shows. 




Pose, por outro lado, é completamente diferente de ACS e é uma série passada nos anos 80, no auge da epidemia do HIV e AIDS, sem que a medicina soubesse como lidar com o tratamento da infecção, retratando os tempos de susto e apreensão que a comunidade LGBTQIA+ passava, junto com o preconceito que transexuais enfrentavam em uma época, que infelizmente, não soa muito diferente da nossa atual. Ainda que esteja inserida em um cenário trágico, Pose é, sem dúvidas, uma das séries mais lindas que eu assisti. Com a ressignificação do que significa família, em Pose, a irmandade dos personagens, suas lutas, derrotas e vitórias se tornam tão nossas quanto deles e todo passo que os personagens dão, são de resistência para que o mundo se torne algo melhor. É uma série que me dá fé. Algo no qual acreditar. Que além das lutas, representa beleza, celebração da vida, da amizade e do amor. Outro projeto aclamado, do sr. Ryan Murphy, diga-se de passagem. (Mesmo que o Emmy boicote as atrizes brilhantes que tem no elenco principal). 



No meio do ano passado, mais ou menos um ano atrás, voltei a assistir temporadas de American Horror Story que nunca tinha assistido antes (da quarta até a nona) e que sinceramente, não espera muita coisa. 
Esse provavelmente, foi o mais belo tapa na cara recebido na minha vida. Todas, e eu digo absolutamente todas temporadas, me surpreenderam e eu amei o enredo de cada uma. Obviamente, eu tenho minhas favoritas, mas não tem uma que eu simplesmente não gostei. E enquanto eu assistia a temporada de Freak Show (acho que a qual eu mais julguei a última temporada que a brilhante Jessica Lange participou no elenco principal) me peguei com um sentimento de gratidão enorme, por ter algo tão bom para assistir durante a quarentena. 

Acontece que eu sou uma pessoa completamente preguiçosa para começar novas séries, ver novos enredos, conhecer novos personagens. Preciso de muita coragem para maratonar, mas durante a minha maratona de AHS ano passado, eu só consegui agradecer. E passou voando. 

Recentemente, assisti a temporada de 1984, pois ano passado ainda não estava disponibilizada quando peguei várias temporadas para assistir e quando disponibilizou eu procrastinei até não ter o que fazer (essa semana passada, para ser exata). E de novo, o sentimento de surpresa, satisfação e gratidão, por ele, Ryan fucking Murphy. 


Eu sei que tem várias pessoas por trás dos projetos criados pelo mesmo e não sou a maior fã do mundo do escritor, diretor e produtor, mas eu apenas o admiro. Seus shows tem desenvolvimentos tão justos dos personagens, são tão diferentes uns dos outros (passamos por gêneros de drama, romance, comédia, musical, terror) e permanecem completos e trazem esse sentimento de: uau! Isso é realmente algo ótimo de assistir, acompanhar, de ser consumido por essa história. 
Eu amo o sentimento, amo o que suas séries me propõem. 
Acho Ryan Murphy brilhante, não só por executar séries aclamadas e ser o vencedor de vários Emmys - algo que é um dos motivos, pois humildemente, já sonhei em ganhar um com uma história criada por mim - mas também por despertar isso: gratidão por colocar essa história, esse personagem, esse enredo no mundo. 


Ainda não acompanhei seus projetos realizados com a Netflix, mas é algo que com certeza está na minha lista e que eu não espero que me surpreenda muito mas que julgando pelo histórico, irá me surpreender. 
E provavelmente vou me sentir grata e postar um storie no instagram com um vídeo da série, de uma cena específica e impactante e com uma legenda que diz "obrigada por tudo Ryan Murphy", como eu faço há um ano toda vez que identifico o sentimento de satisfação por poder assistir algo tão bom, bem na minha frente, simplesmente porque o homem tirou da sua mente e executou a ideia até ir para o mundo e chegar em mim. Isso é extremamente poderoso se você parar para pensar.

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