Se eu paro pra pensar, ainda dói você ter ido embora

 Lembrei de você hoje sem pretensão alguma. Apenas deixei os pensamentos voltarem para uma época em que era inocente demais, jovem demais, aprendendo demais, sentindo muito mais do que deveria sentir. Lembrei de você sem pretensão e os pensamentos me levaram as melhores lembranças, aos melhores dias, aos pequenos detalhes, aqueles que tornavam sua presença tão grande. 

Reparei que uma lagrima derramei, logo depois chorei e enfim solucei. Como uma criança que acabou de perder o seu animal de estimação mais fiel e cuidadoso. Solucei como se sua partida tivesse sido semana passada, como se e ainda me lembrasse do exato dia em que você foi. Como se os últimos doze anos não tivessem existido. Chorei como se não tivesse seguido em frente. 

Chorei e deixei o choro me corroer por alguns minutos. Deixei que consumisse meu corpo, minha alma e minha mente. Chorei de uma forma tão inesperada, que me assustei. Se eu paro pra pensar, ainda dói você ter ido embora. 

Me peguei pensando no que poderia ter sido se você tivesse ficado. O que aconteceria se tivéssemos passado pelo mais cruel dos obstáculos e você simplesmente tivesse ficado. O que teria acontecido se não tivéssemos saído naquele domingo ensolarado que era para ser um dia lindo e no fim me entregou uma ferida causada por uma despedida, que uma década inteira não conseguiu cicatrizar. 

Me peguei me lamentando, pela milésima vez, o fato de ter perdido todas suas fotos. Me questionei ferozmente porque sinto tanta falta de um simples retrato quando ainda tenho sua feição tão viva na minha mente. Mesmo depois de quatro mil dias sem te ver. 

Me pergunto agora se um dia fui ruim com você. Se mereci sua partida precoce e o sentimento de agonia que me causa, como se tivesse partido ontem. Me pergunto se você sabe que eu sinto isso. Se de algum lugar paralelo, você consegue me sentir, sentindo isso. Se do alto da sua vista, com a sua vida perfeita, onde tudo é lindo, a grama é mais verde e o céu mais azul, se daí você sabe que eu me senti assim hoje. 


Porque hoje doeu. Doeu como não doía nos últimos três anos. Porque se eu paro pra pensar em você, apenas dói. Porque a dor é real, despedida é triste e a vida é imprevisível e a gente simplesmente não controla nada. 

Mas acho que o importante é que eu te amei. De uma maneira inocente, transtornada e verdadeira. Te amei profundamente que ainda consome meu coração, quando minha mente joga comigo e me lembra dos dias em que sua presença era viva nos meus dias. Te amei tanto que ainda escrevo texto sobre você. 

Te amei tanto que ironicamente, a vida me entregou meu melhor presente, no mesmo dia que você foi destinado a ir embora. 

Te amei e aceitei que vou continuar amando. Em vinte anos, trinta anos, quarenta anos... 

Não terei um retrato se quer para mostrar sua beleza extraordinária, mas ainda terei as lembranças vivas para descrever com um pouco de arrependimento e orgulho, sobre nossos dias de glória. E entre essas lembranças que as vezes me invadem, eu vou seguindo. 

Hoje doeu. Hoje, espero que da onde quer que esteja, você consiga sentir um abraço. Ás vezes era tudo que eu queria poder dar. 

Amanhã eu sigo, com você camuflado no meu coração. Aceitei, que dele, você não vai embora jamais. Ás vezes isso machuca, mas na maioria dos dias, me conforta.  Dentro de mim, esse amor que nasceu lá em 2008, vai ficar para sempre. Na minha bagunça pessoal, nós vivemos. E a vida não é tão cruel se me permite sentir mais isso, do que permite doer. 

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